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Leitor Wine & Stuff
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O 13.º Festival do Vinho do Douro Superior, realizado entre os dias 22, 23 e 24 de maio de 2026 no pavilhão EXPOCÔA, em Vila Nova de Foz Côa, consolidou-se como um marco estratégico para a promoção económica e valorização identitária da sub-região mais oriental da Região Demarcada do Douro. Coorganizado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e pela publicação especializada Grandes Escolhas, o certame contou com o apoio estrutural da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Côa. A relevância macroeconómica do certame para o setor agroalimentar e turístico nacional foi evidenciada pela presença do Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, na sessão de abertura oficial, na qual foi acompanhado pelo Presidente do Município, Pedro Duarte. Esta chancela do executivo nacional salienta a importância geopolítica do interior do país, demonstrando que o desenvolvimento de territórios de baixa densidade demográfica depende diretamente da valorização dos seus ativos endógenos de alto valor acrescentado, como o vinho e o azeite.
Durante os três dias de atividade, o festival atraiu um fluxo superior a 6.000 visitantes. O formato de acesso ao pavilhão EXPOCÔA pautou-se pela gratuitidade de entrada, sendo apenas exigida a aquisição do copo oficial de provas para o contacto direto com os produtores. Esta opção metodológica facilitou o tráfego de visitantes e democratizou o acesso a produções de pequena escala, que raramente acedem aos circuitos comerciais das grandes áreas metropolitanas. Os impactos económicos imediatos refletiram-se na cadeia de valor turística local, impulsionando a hotelaria, a restauração e o comércio regional de Vila Nova de Foz Côa, demonstrando a eficácia dos eventos temáticos como indutores de atratividade territorial.
Estrutura do Ecossistema Expositivo e Cadeia de Valor
O desenho do espaço de exposição na EXPOCÔA materializou de forma clara uma estratégia inteligente de integração das várias fileiras agrícolas da região, conseguindo reunir uma amostra fiel do ecossistema produtivo do Douro Superior.
O grande motor do evento centrou-se no setor vitivinícola, que contou com 77 stands ocupados por produtores estabelecidos nas várias margens do rio Douro. Com um enfoque muito claro em projetos de cariz familiar e microempresarial, o certame afirmou-se como uma plataforma crucial para estes interlocutores, onde as vendas diretas ao público se cruzaram com o entrelaçar de redes estratégicas, abrindo portas a parcerias com garrafeiras e canais de distribuição.
A complementar esta experiência e a consolidar o conceito de terrunho integrado, a feira reservou ainda um espaço com 17 stands dedicados aos produtos regionais. Foi uma montra viva da riqueza local, marcada pela comercialização ativa de amêndoas, mel silvestre, compotas, doçaria tradicional, azeites de excelência e até cosmética inovadora desenvolvida a partir de matérias-primas autóctones.
Paralelamente, a valorização do património gastronómico foi assegurada pela presença de “Tasquinhas” no recinto.
Avaliação Técnica do 13.º Concurso de Vinhos
O núcleo central das atividades técnicas do festival centrou-se na realização do 13.º Concurso de Vinhos do Douro Superior. Sob a direção técnica de Luís Lopes, conceituado crítico de vinhos e coordenador de provas da revista Grandes Escolhas, o concurso avaliou um total de 180 referências distribuídas pelas categorias de vinhos brancos, vinhos tintos e vinhos do Porto. O painel de avaliação foi composto por um júri de 21 especialistas nacionais e internacionais, integrando escanções, jornalistas da imprensa especializada, críticos e compradores profissionais.
A análise comparativa revelou uma consistência qualitativa notável, demonstrando que a sub-região do Douro Superior superou a antiga perceção de produzir apenas tintos potentes, apresentando hoje brancos dotados de grande frescura e mineralidade, fruto da exploração de vinhas de altitude e de solos de transição. Os três grandes vencedores que arrecadaram a distinção máxima de “Melhor Vinho do Douro Superior 2026” refletem diferentes visões de mercado e metodologias de vinificação.
O triunfo do CARM Gouveio 2023 na categoria de brancos confirma o potencial de guarda e a complexidade estrutural que a casta Gouveio atinge nos solos áridos da sub-região. No segmento dos tintos, a consagração do Rasga Grande Reserva 2022, da assinatura independente de Artur Rodrigues, ilustra a pujança técnica e o rigor dos pequenos produtores que operam no vale do Douro, capazes de competir com grandes insígnias corporativas. Na categoria de Vinhos do Porto, o Burmester Porto Tawny 30 anos evidenciou a sofisticação e a consistência das caves locais nos processos de oxidação lenta em madeira.
Para além dos três prémios de prestígio máximo, o júri técnico atribuiu um total de 21 medalhas de ouro e 45 medalhas de prata.
O 1.º Concurso de Azeites
O grande vetor de inovação desta 13.ª edição assentou na criação do 1.º Concurso de Azeites do Douro Superior, cuja calendarização técnica ocupou a manhã de sábado, dia 23 de maio. A iniciativa responde à necessidade de potenciar sinergias entre a olivicultura e a viticultura, duas atividades agrícolas indissociáveis na paisagem duriense e transmontana. Sob a direção técnica de Francisco Pavão, Presidente da Associação de Agricultores de Portugal (APPITAD), o concurso contou com a participação de 39 amostras inscritas, atestando o dinamismo deste setor na região.
A avaliação sensorial resultou na consagração conjunta de dois azeites na categoria máxima de “Melhor Azeite do Douro Superior 2026”, premiando o equilíbrio de notas verdes, amargas e picantes típicas dos olivais locais. O prémio foi partilhado ex-aequo pelo azeite Quinta Vale de Carvalho, do produtor Pedro Luís Morgado Correia, e pela prestigiada referência de agricultura biológica Acushla Gold Edition, da Acushla S.A..
Programação Pedagógica e Práticas de Enoturismo
Além do caráter meramente transacional e de exibição de marcas, o festival posicionou-se como um espaço de capacitação técnica e pedagógica para o consumidor contemporâneo, assente no conceito de consumo consciente e na exploração do terrunho. No decurso dos três dias do evento, realizaram-se diversas provas comentadas por especialistas da revista Grandes Escolhas, que registaram lotação esgotada nas instalações do pavilhão EXPOCÔA.
A dinâmica iniciou-se logo na sexta-feira, dia 22 de maio, imediatamente após a inauguração institucional conduzida pelo Presidente do Município, Pedro Duarte, acompanhado pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro. O crítico Paulo Pimenta orientou a prova de vinhos sob o tema “Grandes Tintos do Douro Superior”. No sábado à tarde, as atenções técnicas repartiram-se entre a prova comentada de “Azeites do Douro Superior e Trás-os-Montes”, liderada por Francisco Pavão, e a prova de “Grandes Brancos do Douro Superior”, da responsabilidade técnica do crítico Rui Caroço dos Santos. O programa encerrou no domingo, dia 24 de maio, com a tradicional prova comentada dedicada ao vinho do Porto, mais especificamente aos Vintage 2024, conduzida por Paulo Pimenta, culminando com o posterior anúncio público e entrega de prémios de ambos os concursos do festival ao final da tarde.
Esta componente formativa reflete o crescente investimento da região no enoturismo integrado de base científica. Ao compreenderem de perto as variáveis de solo, castas e estágio que condicionam o perfil sensorial de cada produto, os visitantes tornam-se embaixadores naturais do Douro Superior, associando o ato de compra à experiência territorial e à proteção da paisagem histórica da região.
Estratégias de Animação Cultural e Impacto Demográfico
Com o intuito de prolongar a permanência física dos visitantes e atrair franjas demográficas diversificadas, o festival delineou um forte cartaz de animação cultural. A abertura oficial de sexta-feira ocorreu pelas 17h00, seguida da cerimónia solene às 18h00. À noite, pelas 22h00, subiu ao palco o músico e compositor brasileiro Maninho, cuja atuação foi complementada pela dinâmica de cabine do DJ Milheiro e pelas batidas eletrónicas do projeto integrado por John Diaz e pelo MC Miguel Teixeira, perto da meia-noite.
No sábado, após as dinâmicas técnicas da manhã, as portas da feira reabriram ao público pelas 15h00. O grande destaque artístico da noite consistiu no concerto do músico portuense Pedro Abrunhosa, cujo espetáculo atraiu um recorde de assistência ao pavilhão da EXPOCÔA. O encerramento sonoro esteve a cargo do DJ Edgar Marquez. Esta convergência entre música e gastronomia permite desmistificar o consumo do vinho entre as gerações mais jovens, integrando os produtos tradicionais em ambientes de convívio informal e agregando valor recreativo a uma região fustigada pela interioridade.
Comitiva Internacional Descobre a Excelência do Douro Superior
No âmbito do certame, uma comitiva exclusiva de compradores de vinho e jornalistas, tanto nacionais como estrangeiros, percorreu as encostas da região numa viagem de imprensa focada em descobrir a diversidade e a sofisticação da enologia local.
A caravana da imprensa arrancou com uma imersão na Adega Cooperativa de Freixo de Numão, onde o grupo foi recebido com a hospitalidade que define as gentes durienses. No copo, os críticos comprovaram a consistência e a frescura surpreendente dos brancos, além da estrutura sólida dos tintos da nova colheita. Esta paragem inicial sublinhou o papel crucial do cooperativismo e do esforço coletivo de centenas de viticultores na preservação da biodiversidade e da paisagem da sub-região, provando que a escala social e a tradição coabitam perfeitamente com a modernidade enológica.
Seguindo viagem pelas encostas, a comitiva aterrou no cenário idílico da Quinta de Silvalde, um produtor que saltou à vista pelo perfil contemporâneo e de precisão dos seus vinhos. Durante a prova exclusiva, gerou-se um enorme entusiasmo na mesa face a colheitas que beneficiam diretamente da altitude e das amplitudes térmicas da zona. O resultado são vinhos de grande finura, mineralidade marcante e frescura vibrante, posicionando a Quinta de Silvalde como uma descoberta obrigatória para quem procura sofisticação e potencial de guarda.
O fecho desta rota de imprensa deu-se na Quinta do Pocinho, onde os profissionais testemunharam a força telúrica do Douro profundo. Com vinhas que mergulham no horizonte quente do rio, o Pocinho brindou os provadores com tintos imponentes e de grande concentração aromática. Os taninos sedutores e o final persistente deixaram a crítica internacional rendida, coroando uma viagem que demonstrou a excelência engarrafada e o forte potencial enoturístico do Douro Superior.
Perspetivas de Desenvolvimento e Conclusões
O balanço final do 13.º Festival do Vinho do Douro Superior de 2026 evidencia a maturidade de um evento que se afirmou como o epicentro anual de renovação e consagração da sub-região no plano vitivinícola português. A nível comercial, o certame cumpriu eficazmente o duplo desígnio de viabilizar vendas diretas imediatas e de impulsionar contratos de distribuição a médio prazo para os pequenos produtores locais, que beneficiam da visibilidade proporcionada pelo júri internacional e pela imprensa especializada.
A evolução técnica observada nos vinhos brancos e na fileira oleícola demonstra a resiliência ativa dos produtores do Douro Superior face aos desafios decorrentes das alterações climáticas, aproveitando com mestria as altitudes elevadas e as variedades nativas adaptadas à aridez do território. Em conclusão, o certame de Vila Nova de Foz Côa confirma que a sustentabilidade económica do interior do país se constrói através da qualidade intransigente dos produtos agrícolas, da coesão das estruturas autárquicas e da simbiose bem-sucedida entre as indústrias do turismo, do vinho e do azeite.





