Fernão Pires

RIEDEL Mind the Glass
Credits: vinetowinecircle.

Ficha da Casta

Variedade

Branca

Sinonímia

Fernão Pires do Beco, Gaieiro, Gaeiro, Maria Gomes, Molina e Torrontés (Espanha)

Variedades erradamente identificadas com a Fernão Pires

Bical, Fernão Pires de Colares e Trebbiano Toscano (Itália)

Origens

A Fernão Pires é uma casta muito antiga em Portugal. Em 1788, José Veríssimo da Silva mencionou-a no Douro, nas Beiras e na Estremadura, na obra “Memória sobre a cultura das vinhas e sobre os vinhos”. Mais tarde, em 1790, Constantino Lobo fez referência à casta no livro “Memória sobre a cultura das vinhas em Portugal” após a encontrar na zona de Castelo Branco e da Guarda.

Inicialmente, a opinião generalizada atribuiu a paternidade da casta à região do Tejo, no entanto, o Engenheiro Rolando Faustino atribuiu-a (1999) à Bairrada após constatar uma maior diversidade morfológica nessa região.

Características

A Fernão Pires apresenta um vigor médio a elevado e uma produtividade entre 8 e 18 Toneladas por Hectare. O cacho é médio (entre 165 e 270 gramas) e solto. O bago é médio, esférico e tem uma película medianamente esférica. A Fernão Pires é muito sensível ao oídio, no entanto é medianamente sensível à traça e à cigarrinha verde.

A Fernão Pires é usada como referência para os estados fenológicos das restantes castas brancas nacionais.

Regiões de Maior Relevância e Expansão

No ano de 2018, a Fernão Pires estava implantada em 10 458 Hectares ocupando cerca de 6% da área total de vinha em Portugal. Estes números fazem com que seja a casta branca mais plantada no país.

Em 2018, na região do Tejo a casta encontrava-se disseminada em mais de 31% do território (3712 Hectares), sendo a casta mais usada de todas. Na Beira Atlântico ocupava mais de 18% da superfície total (2724 Hectares). Na região de Lisboa estava implantada em quase 10% do território (1750 Hectares). Seguiram-se a Península de Setúbal com 627 Hectares e a região do Minho com 472 Hectares. Em seguida perfilaram-se o Alentejo, as Terras do Dão, o Douro, Trás-os-Montes e as Terras da Beira com plantações menos extensas.

A casta também se encontra instalada na África do Sul, Califórnia e Austrália em quantidades residuais.

Parentalidade

A Fernão Pires deu origem às castas Generosa, Rio Grande e Seara Nova.

Notas de Prova

O professor Virgílio Loureiro considerou-a do ponto de vista “enológico, é uma casta polémica, adorada por uns, que lhe reconhecem uma grande intensidade aromática que, quando bem explorada, permite a obtenção de vinhos distintos, com boa estrutura e forte personalidade; odiada por outros que referem que, devido à sua falta de acidez, conduz a vinhos chatos e sem longevidade, aromas pesados, muito susceptíveis à oxidação. O carácter mais marcante é, sem dúvida, a natureza e intensidade de aromas, o que a torna talvez uma das mais aromáticas. Os seus aromas fazem lembrar frutos cítricos doces, como laranja, e flores como mimosa, tília, laranjeira e loureiro.”

Fontes

  • Böhm, Jorge (2007), Portugal Vitícola – O Grande Livro das Castas, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa
  • Robinson, Jancis; Harding, Julia; Vouillamoz, José (2012), Wine Grapes: A Complete Guide to 1,368 Vine Varieties, including their Origins and Flavours, Penguin Group, Londres
  • https://www.ivv.gov.pt (19 de março de 2020)

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